“No livro a
gente pode voltar atrás, andar para frente. Também podemos fazer isso com a
imagem, provavelmente, mas há sobretudo esse tempo que é transportado
fisicamente pelo livro. Esse pó que fica nos livros. O pó do tempo. Nos novos
instrumentos não haverá pó. É só o que lhes falta. Esse pó quer dizer o tempo,
quer dizer a própria essência da nossa vida.” Setembro de 2008 (entrevista à
revista Ler)
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Plano Nacional de Leitura
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Lourenço: Uma vida de
livros e solidão de afetos
Eduardo Lourenço de Faria nasceu em São Pedro do Rio
Seco, no concelho de Almeida, distrito da Guarda, em 23 de maio de 1923 (embora
conste do assento de nascimento a data de 29 de maio). Era filho de Abílio de
Faria, 2.º Sargento de Infantaria, e de Maria de Jesus Lourenço.
O prestigiado intelectual era casado
desde 1954 com Annie Salomon, natural da Bretanha, que, tal como ele, deu
aulas na Universidade de Nice até se jubilarem, em 1988-1989.
Filha de um "lavrador que teria
sido tecelão", conforme Eduardo Lourenço chegou a descrevê-la, a
sua mãe, Maria de Jesus, mulher de "profunda religiosidade",
sincera e rural, marcou-o com a sua presença. O pai também teve importância,
mas mais pela ausência. Com muitos irmãos e oriundo de Lagares da Beira,
filho de um pequeno comerciante, Abílio de Faria viu-se obrigado a
alistar-se como voluntário na "tropa", por não dispor de recursos
para ser médico como pretendia.
A vocação para vir a ser alguém
encantado pelos livros - e até fazedor de alguns bons livros - nasceu em sua
casa, durante a infância, em São Pedro do Rio Seco, conforme Eduardo
Lourenço recordava, em entrevista à revista "Ler", em setembro
de 2008: " (...) O meu pai tinha tido uma certa escolaridade. Tinha
frequentado uma escola comercial no Porto. Ainda jovem, tinha-se alistado
no Exército mas não com a ideia de ficar lá. A ideia dele era ser médico.
Portanto, havia uma série de livros que ele deixou lá na aldeia".
Os estudos e o cinema
Eduardo Lourenço frequentou a
Escola Primária em S. Pedro do Rio Seco (1930-1931), tendo partido no
ano seguinte com a mãe e os irmãos para a Guarda, onde o pai era alferes de
Infantaria. Concluiu o 2.º grau do Ensino Primário, em 1933, em Almeida,
sendo aprovado com distinção no exame final. Em 1934, ano em que o pai partiu
para África (Moçambique) - onde ficou meia dúzia de anos, longe da
família, para a poder sustentar -, Eduardo Lourenço regressou à
Guarda, onde frequentou o 1.º ano do Ensino Secundário no Liceu Afonso de
Albuquerque [...]
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