domingo, 29 de março de 2020

Notícias da Semana da Leitura e das línguas 2020 já em tempo de crise

Leitura com Sotaque

Realizou de 9 a 13 de março, nas escolas do Agrupamento, a Semana da Leitura, uma Semana um pouco conturbada, porque já se sentia que algo de grave ia acontecer.
Les phrases en puzzle
Na sexta-feira anterior, fora pedido às escolas para limitarem os contactos com agentes exteriores e, assim, anularam-se atividades nas escolas do 1.º ciclo, ciclo em que a Semana da Leitura é muito participada pelos pais e  em que várias entidades são convidadas a partilhar leituras.
Concurso de Leitura 2ºciclo

Apesar dos constrangimentos, a Semana da Leitura correu bem, correu mesmo muito bem. Celebrou-se a leitura, o prazer de ler e o conhecimento das línguas com diversas atividades que envolveram os alunos do 1.º ciclo ao secundário. As atividades foram propostas pelos docentes, pela biblioteca escolar e também pelos alunos.
Spelling 2º ciclo

Nos concursos Leitura Expressiva, Ortografia, Spelling, Kahoot do 6.º e 8.º ano, Les phrases en puzzle, os alunos “competiram” para serem o melhor leitor, mostrarem os conhecimentos da língua portuguesa, francesa e inglesa. Participaram com entusiasmo nestas atividades e foi muito interessante ver alunos a não desistirem dos desafios propostos.
Pessoa(s) em Sophia

Partilharam-se técnicas de leitura (Ateliê de Leitura em Voz Alta), livros (Rifa o teu livro e leva o do teu amigo), leituras (Chá com livros), poesias (Pessoas em Sophia, Sophia hoje, Leitura com Sotaque), jogos e desafios (Jouons en Français, Escape Room). Os alunos do 11º 6-2 partilharam trabalhos realizados na disciplina de Desenho e os alunos do 5.º e 6.º ano  trabalhos sobre as obras estudadas; os alunos do 8.º 3.ª lançaram, no site do Agrupamento e no blogue das BE, a revista digital que desenvolveram nas disciplinas de Cidadania e Desenvolvimento, Matemática e TIC;  todos estes trabalhos foram realizados  no âmbito do projeto “Celebrar Sophia”
Foram momentos de interação, em que alunos maisvelhos dinamizaram atividades para os mais novos; alunas do secundário criaram desafios para os seus colegas; alunos trocaram opiniões sobre leituras, filmes, notícias.

Encontro Com Isabel Nery
No encontro com Isabel Nery, autora da biografia de Sophia de Mello Breyner Andresen, falou-se de Sophia, mas falou-se também de ética no jornalismo, de Fake News e a jornalista, muito atenta às perguntas e à curiosidade dos alunos, pedagogicamente, apelou várias vezes ao sentido crítico dos alunos e sublinhou que uma opinião não é notícia. Que devemos sempre confirmar as fontes.

Mais uma vez se celebrou Sophia, mais uma vez se celebrou a Semana da Leitura e das Línguas.

Escape Room

Chá com livros

Chá com livros
Pessoa(s) em Sophia

segunda-feira, 23 de março de 2020

Cultura no sofá

Veja alguma propostas da RBE para estes dias de isolamento social que não são de isolamento cultural - poesia, teatro, música, cinema ...


domingo, 22 de março de 2020

Lisboa Ainda

Convido-vos a ler este maravilhoso poema de Manuel Alegre dedicado a Lisboa nestes tempos difíceis de pandemia COVID-19. Convido-vos a  ler ainda outros poemas sobre Lisboa dos nossos poetas, mais uma vez Sophia, e a apreciar  quadros Carlos Botelho e de Maluda.


Lisboa Ainda

Lisboa não tem beijos nem abraços
não tem risos nem esplanadas
não tem passos
nem raparigas e rapazes de mãos dadas
tem praças cheias de ninguém
ainda tem sol mas não tem
nem gaivota de Amália nem canoa
sem restaurantes, sem bares, nem cinemas
ainda é fado ainda é poemas
fechada dentro de si mesma ainda é Lisboa
cidade aberta
ainda é Lisboa de Pessoa alegre e triste
e em cada rua deserta
ainda resiste

20 de março de 2020

Carlos Botelho

Alguém diz com lentidão:
“Lisboa, sabes…”
Eu sei. É uma rapariga
descalça e leve,
um vento súbito e claro
nos cabelos,
algumas rugas finas
a espreitar-lhe os olhos,
a solidão aberta
nos lábios e nos dedos,
descendo degraus
e degraus e degraus até ao rio. Eu sei. E tu, sabias?

Eugénio de Andrade, iAté Amanhã, 1956

Maluda



“Lisboa”

Quando atravesso – vinda do sul – o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão noturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas –
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
– Digo para ver

Sophia de Mello Breyner Andresen (1977), in Obra Poética, 2011

Carlos Botelho


Lisboa à beira-mar, cheia de vistas,
Ó Lisboa das meigas Procissões!
Ó Lisboa de Irmãs e de fadistas!
Ó Lisboa dos líricos pregões…
Lisboa com o Tejo das Conquistas,
Mais os ossos prováveis de Camões!
Ó Lisboa de mármore, Lisboa!
Quem nunca te viu, não viu coisa boa…

Ai canta, canta ao luar, minha guitarra,
A Lisboa dos Poetas Cavaleiros!
Galeras doidas por soltar a amarra,
Cidades de morenos marinheiros,
Com navios entrando e saindo a barra
De proa para países estrangeiros!
Uns pra França, acenando Adeus! Adeus!
Outros pras Índias, outros… sabe-o Deus!

Ó Lisboa das ruas misteriosas!
Da Triste Feia, de João de Deus,
Beco da Índia, Rua das Fermosas,
Beco do Fala-Só (os versos meus…)
E outra rua que eu sei de duas Rosas,
Beco do Imaginário, dos Judeus,
Travessa (julgo eu) das Isabéis,
E outras mais que eu ignoro e vós sabeis.
(…)

António Nobre, in Despedidas: 1895-1899, 1902


Maluda

sábado, 21 de março de 2020

E como chegou a primavera, partilho também alguns trabalhos realizados pelos alunos do 5º e 6º ano sobre as obras de Sophia.

Rapaz de Bronze

Rapaz de Bronze

Fada Oriana

Fada Oriana

A Floresta



21 de março: Dia Mundial da Poesia


Neste 21 de março, partilho convosco dois poemas reescritos a partir de palavras de dois poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen pelos alunos do 10.º1 e 10.º2.



Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que eu quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o Teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em Primavera feroz precipitado.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Peço-te que sejas o presente.
Que me purifique,
Só dos teus olhares
Inundes a terra.

Peço-te que venhas e me dês
A liberdade, antes do tempo,
E que o teu reino derrame
O tempo mais comprido.

Peço-te porque tudo está
Sobre coisas,
E suportar é ver que há muitas que eu quero.

Chamo-te, em primavera,
Ainda no princípio
(que) venha feroz, precipitado,
E se acabe tudo.

10º2ª

A hora da partida

A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.

Sophia de Mello Breyner Andresen

A noite escurece e as portas batem.
Soa quando a hora da partida,
estranha e longínqua,
e o vento passa.

Soa quando cada nó em si deslaça,
quando soa a hora da partida.

Como se tudo germinasse.
E de mim no jardim se desprende.

Quando estala o chão
 as árvores inspiradas parecem (a) minha vida,
nelas, a minha face me é (o) fundo dos espelhos.

10º1





sexta-feira, 20 de março de 2020

«A Minha Avó Tem Coronavírus!»


«A Minha Avó Tem Coronavírus!» é uma história contada pelo António, um menino que percebe que a sua avó ficou infetada pelo novo coronavírus depois de ter voltado de uma viagem. Como será que ele e a família lidam com a situação? Como se sente a avó? O que é que o António e os seus pais podem fazer para apoiarem a avó e manterem-se protegidos?

Um livro para ajudar as crianças e jovens a lidarem com uma situação nova e inesperada, que obriga a novas rotinas diárias e à gestão de situações nem sempre fáceis de entender.

Autoria: Beatriz Braga, Joana M. Gomes, Marta Correia, Miguel Correia e Susana Amorim

Edição Ideias com História 2020

Colaboração da Direção-Geral da Saúde (DGS)

Façam o download gratuito em Ideias com História



STOP Contágio | jogo online



A Direção-Geral da Saúde lançou o jogo on-line “STOP Contágio” para, de forma lúdica, promover a melhoria dos conhecimentos e a adoção de comportamentos adequados por parte da população, no que diz respeito à prevenção da transmissão de agentes infecciosos, como é o caso do coronavírus responsável pela COVID-19.
In RBE


quinta-feira, 19 de março de 2020

Os 19 pais que criaram o mundo em que vivemos

Outro artigo interessante do Observador.pt para assinalar o Dia do Pai

Quem nos ensinou as maravilhas do WWW, quem nos deu telemóveis e quem garantiu a evolução da Medicina? No dia de S. José, Dia do Pai, o Observador celebra os "pais" das coisas que fazem o nosso mundo.


Hipócrates, o pai da Medicina. Criou descrições clínicas de doenças como a malária ou a pneumonia e a tuberculose. A sua teoria baseava-se nos quatro humores corporais.


Leia o artigo em Observador.pt


Dia do Pai

Florbela Espanca "Ter um pai"


Ter um Pai! É ter na vida

Uma luz por entre escolhos;
É ter dois olhos no mundo
Que vêem plos nossos olhos!

Ter um Pai! Um coração
Que apenas amor encerra,
É ver Deus, no mundo vil,
É ter os céus cá na terra!

Ter um Pai! Nunca se perde
Aquela santa afeição,
Sempre a mesma, quer o filho
Seja um santo ou um ladrão;

Talvez maior, sendo infame
O filho que é desprezado
Pelo mundo; pois um Pai
Perdoa ao mais desgraçado!

Ter um Pai! Um santo orgulho
Prò coração que lhe quer
Um orgulho que não cabe
Num coração de mulher!

Embora ele seja imenso
Vogando pelo ideal,
O coração que me deste
Ó Pai bondoso é leal!

Ter um Pai! Doce poema
Dum sonho bendito e santo
Nestas letras pequeninas,
Astros dum céu todo encanto!

Ter um Pai! Os órfãozinhos
Não conhecem este amor!
Por mo fazer conhecer,
Bendito seja o Senhor!


E também Cat Stevens  "Son and Father"

It's not time to make a change
Just relax, take it easy

You're still young, that's your fault
There's so much you have to know
Find a girl, settle down
If you want you can marry
Look at me, I am old, but I'm happy
I was once like you are now, and I know that it's not easy
To be calm when you've found something going on
But take your time, think a lot
Why, think of everything you've got
For you will still be here tomorrow, but your dreams may not
How can I try to explain? 'Cause when I do he turns away again
It's always been the same, same old story
From the moment I could talk I was ordered to listen
Now there's a way and I know that I have to go away
I know I have to go
It's not time to make a change
Just sit down, take it slowly
You're still young, that's your fault
There's so much you have to go through
Find a girl, settle down
If you want you can marry
Look at me, I am old, but I'm happy
All the times that I cried, keeping all the things I knew inside
It's hard, but it's harder to ignore it
If they were right, I'd agree, but it's them they know not me
Now there's a way and I know that I have to go away
I know I have to go



E porque não Roberto Carlos Meu querido, meu velho, meu amigo

Esses seus cabelos brancos, bonitos
Esse olhar cansado, profundo
Me dizendo coisas num grito
Me ensinando tanto do mundo
E esses passos lentos de agora
Caminhando sempre comigo
Já correram tanto na vida
Meu querido, meu velho, meu amigo
Sua vida cheia de histórias
E essas rugas marcadas pelo tempo
Lembranças de antigas vitórias
Ou lágrimas choradas ao vento
Sua voz macia me acalma
E me diz muito mais do que eu digo
Me calando fundo na alma
Meu querido, meu velho, meu amigo
Seu passado vive presente
Nas experiências contidas
Nesse coração consciente
Da beleza das coisas da vida
Seu sorriso franco me anima
Seu conselho certo me ensina
Beijo suas mãos e lhe digo
Meu querido, meu velho, meu amigo
Eu já lhe falei de tudo
Mas tudo isso é pouco
Diante do que sinto