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quarta-feira, 22 de março de 2023

Dia Mundial da Poesia

No Dia Mundial da Poesia e no âmbito da Semana da Leitura, alunos, funcionários, professores e encarregados de educação homenageram Eugénio de Andrade. 

A professora bibliotecária e os professores do Departamento de Línguas desafiaram a comunidade educativa a ler um poema de Eugénio de Andrade. 

Pais leram ao portão, funcionários leram na sala de professores. Muitos alunos leram na sala de aula; os alunos do 5.º ano partilharam leituras com os alunos do 6.º ano. 

Apresentamos aqui o trabalho de um grupo de alunas do 12.º5.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

No Centenário de Eugénio de Andrade, um poema de amor.

 Foi para ti que criei as rosas.

 

 Foi para ti que criei as rosas.

Foi para ti que lhes dei perfume.

Para ti rasguei ribeiros

e dei às romãs a cor do lume.

 

Foi para ti que pus no céu a lua

e o verde mais verde nos pinhais.

Foi para ti que deitei no chão

um corpo aberto como os animais.  

 

In: As Mãos e os Frutos (1948)

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

Centenário de Eugénio de Andrade

No dia 19 de janeiro 1923, nasceu o poeta Eugénio de Andrade.

Dia 19 de janeiro de 2023, iniciam-se as celebrações do seu centenário que ocorrerão sobretudo no Porto e no Fundão.

Apresentamos um excerto da revista Visão sobre o poeta que poderão ler integralmente aqui e um vídeo com a leitura do poema “As palavras interditas” por Margarida Carvalho.

Para os amantes de poesia, aconselhamos a homenagem feita pela RTP/Play, “A caminho do Centenário”, um poema por dia.

“Não há autor no século XX português que encaixe tão bem no cliché de “poeta” do imaginário popular, mesmo daqueles que nunca ou raramente leem poesia. Eugénio de Andrade escrevia sobre flores, o vento, água, pássaros, as árvores, a lua, a infância, o silêncio, os corpos na juventude… tinha uma certa aura de eremita, de antissocial a olhar o horizonte, e facilmente uma brisa lhe despenteava os cabelos. Os seus dias e os seus poemas rimavam facilmente com a melancolia. A poesia impôs-se na sua vida, quase como se não tivesse tido escolha. “Desde cedo me encontrei desinteressado de coisas que interessavam à maioria. Na adolescência, tive duas fascinações: a santidade e a poesia. A santidade, adeus, aos catorze anos isso estava arrumado. Ficou a poesia”



domingo, 22 de março de 2020

Lisboa Ainda

Convido-vos a ler este maravilhoso poema de Manuel Alegre dedicado a Lisboa nestes tempos difíceis de pandemia COVID-19. Convido-vos a  ler ainda outros poemas sobre Lisboa dos nossos poetas, mais uma vez Sophia, e a apreciar  quadros Carlos Botelho e de Maluda.


Lisboa Ainda

Lisboa não tem beijos nem abraços
não tem risos nem esplanadas
não tem passos
nem raparigas e rapazes de mãos dadas
tem praças cheias de ninguém
ainda tem sol mas não tem
nem gaivota de Amália nem canoa
sem restaurantes, sem bares, nem cinemas
ainda é fado ainda é poemas
fechada dentro de si mesma ainda é Lisboa
cidade aberta
ainda é Lisboa de Pessoa alegre e triste
e em cada rua deserta
ainda resiste

20 de março de 2020

Carlos Botelho

Alguém diz com lentidão:
“Lisboa, sabes…”
Eu sei. É uma rapariga
descalça e leve,
um vento súbito e claro
nos cabelos,
algumas rugas finas
a espreitar-lhe os olhos,
a solidão aberta
nos lábios e nos dedos,
descendo degraus
e degraus e degraus até ao rio. Eu sei. E tu, sabias?

Eugénio de Andrade, iAté Amanhã, 1956

Maluda



“Lisboa”

Quando atravesso – vinda do sul – o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão noturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas –
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
– Digo para ver

Sophia de Mello Breyner Andresen (1977), in Obra Poética, 2011

Carlos Botelho


Lisboa à beira-mar, cheia de vistas,
Ó Lisboa das meigas Procissões!
Ó Lisboa de Irmãs e de fadistas!
Ó Lisboa dos líricos pregões…
Lisboa com o Tejo das Conquistas,
Mais os ossos prováveis de Camões!
Ó Lisboa de mármore, Lisboa!
Quem nunca te viu, não viu coisa boa…

Ai canta, canta ao luar, minha guitarra,
A Lisboa dos Poetas Cavaleiros!
Galeras doidas por soltar a amarra,
Cidades de morenos marinheiros,
Com navios entrando e saindo a barra
De proa para países estrangeiros!
Uns pra França, acenando Adeus! Adeus!
Outros pras Índias, outros… sabe-o Deus!

Ó Lisboa das ruas misteriosas!
Da Triste Feia, de João de Deus,
Beco da Índia, Rua das Fermosas,
Beco do Fala-Só (os versos meus…)
E outra rua que eu sei de duas Rosas,
Beco do Imaginário, dos Judeus,
Travessa (julgo eu) das Isabéis,
E outras mais que eu ignoro e vós sabeis.
(…)

António Nobre, in Despedidas: 1895-1899, 1902


Maluda