A polémica acerca da estátua de Padre António Vieira já existia em 2017 e mais uma vez parece que não leram bem a obra e não consideraram o contexto histórico.
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segunda-feira, 15 de junho de 2020
Padre António Vieira com Ensina RTP
Apresentamos alguns vídeos de Ensina RTP para conhecer melhor esta figura da cultura portuguesa, hoje no centro das atenções devido à vandalização da sua estátua.
Padre António Vieira, defensor dos índios e dos escravos negros
Padre António Vieira, defensor dos índios e dos escravos negros
O
profundo humanista que foi Padre António Vieira não podia ficar indiferente à
brutalidade com que os ameríndios e os escravos negros eram tratados no Brasil.
Uma prática, aliás, consentida por toda a Europa colonizadora. O missionário
tudo viu e tudo denunciou na corte portuguesa. O que pedia era dignidade e
tolerância para com os povos subjugados. Os índios chamavam-lhe o «Padre Grande»
As ideias que
defendeu e as causas que combateu fazem de Padre António Vieira uma espécie de
revolucionário português do século XVII. Numa época marcada pelo absolutismo, o
pregador jesuíta mais famoso de sempre não hesitou em defender os oprimidos, em
denunciar injustiças e atacar poderes dominantes. Nem mesmo o Santo Ofício
escapou às suas críticas. A coragem e a liberdade são marcas da longa vida
deste homem invulgar, modelado pela formação na Companhia de Jesus e pela
estética barroca.
O pregador
que falou aos homens e aos peixes fez da palavra "matéria-prima do seu
ofício". O fulgor da oratória e da prosa de Padre António Vieira revelam
um cuidado extremo com esse elemento vital, fonte incessante da sua plural
vida; no que disse, no que fez e no que escreveu. Fernando Pessoa não teve
dúvidas e chamou-lhe o Imperador da Língua Portuguesa.
Religioso,
diplomata e escritor, foi uma das figuras mais influentes da cultura portuguesa
do século XVII. Defensor do oprimidos, como os indígenas e os cristãos-novos,
deixou um conjunto de sermões que são objeto de estudo em Portugal e no Brasil.
Alice Vieira: "É ignorância. Não sabem quem foi o Padre António Vieira"
A escritora
está a concluir a biografia do jesuíta num formato destinado ao público mais
jovem. "Espero que pelo menos os jovens leiam a biografia e percebam a
figura importante que ele foi", afirma.
"Isto
anda tudo doido... Eu estou a escrever a biografia do senhor, quer isto dizer
que quando o livro for publicado (se a editora não voltar atrás...) vai ser
queimado como no tempo da Inquisição?", questionou.
O que
aconteceu em Lisboa parece ter sido um episódio de mimetismo do que tem
acontecido nos EUA e em alguns países europeus, onde uma onda de protestos
contra o racismo tem levado ao derrube de estátuas de figuras consideradas
colonizadoras e esclavagistas, na sequência das manifestações contra a morte do
afro-americano George Floyd.
No entanto,
ao contrário do que pensou quem pintou a estátua do Padre António Vieira, o
jesuíta nunca foi um esclavagista, antes pelo contrário, defende Alice Vieira.
"Não há
razão nenhuma [para o consideraram esclavagista], porque ele sempre defendeu os
escravos, sempre defendeu os indígenas", lembrou.
No entanto, a
biógrafa da figura histórica alerta que "mesmo que fosse verdade, que o
Padre António Vieira tivesse tido escravos, não podemos julgar hoje o que foi
feito há uma data de anos... Todos os reis portugueses tiveram escravos. Aquilo
era uma época, agora é outra", sustenta a escritora.
Alice Vieira
está a escrever a biografia do jesuíta no âmbito de uma coleção sobre figuras
da história e da literatura que é publicada pela Imprensa Nacional e se destina
ao público jovem.
É nos
leitores mais novos - grandes fãs de todos os seus livros - que reside a
esperança da escritora em que se faça justiça em relação à importância do Padre
António Vieira.
Leia o resto do artigo em DN.PT
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