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domingo, 13 de outubro de 2024

Nobel da Literatura 2024 - Han Kang

O Prémio Nobel da Literatura de 2024 foi atribuído à escritora sul-coreana Han Kang, cuja obra já se encontra publicada em mais de 30 línguas. O Comité Nobel distinguiu Han Kang «pela sua prosa poética intensa que confronta traumas históricos e expõe a fragilidade da vida humana» e pela sua «consciência única das ligações entre o corpo e a alma, os vivos e os mortos», inovadora na prosa contemporânea, através do seu «estilo poético e experimental».

Han Kang [...} desde muito cedo, paralelamente à escrita, dedicou-se à música e à arte, sensibilidade que transparece no seu estilo literário. Publicou os seus primeiros poemas numa revista literária em 1993 e, dois anos mais tarde, estreou-se na prosa com uma série de contos. 

O seu grande lançamento internacional dar-se-ia com o romance A Vegetariana, de 2007 – publicado por cá pela Dom Quixote – com que ganhou o Man Booker International Prize de ficção, levando ao encantamento global com a literatura coreana.

Na tua biblioteca, podes requisitar a obra O livro branco.

O Livro Branco é uma meditação sobre a cor, que começa com uma simples lista de coisas brancas: a neve, o sal, a espuma das ondas, o papel, o arroz, os cabelos dos velhos, as cobertas em que a mãe da autora embrulhou a primeira filha, que nasceu prematura, muitos anos antes de existir este livro. É também uma reflexão sobre o luto, o renascimento e a tenacidade do espírito humano e uma investigação sobre a beleza, a fragilidade e a estranheza da vida: se, por exemplo, a sua irmã tivesse sobrevivido, teria Han Kang chegado a nascer? Poderíamos nós ler a sua história tão tocante?

In wook.pt






sábado, 10 de outubro de 2020

Prémio Nobel da Paz: Programa Alimentar Mundial da Organização das Nações Unidas

O Prémio Nobel da Paz de 2020 foi atribuído ao Programa Alimentar Mundial da Organização das Nações Unidas (ONU).

O anúncio foi feito em Oslo pela presidente do Comité Nobel Norueguês, Berit Reiss-Andersen, que justificou a atribuição do prémio ao Programa Alimentar Mundial pelos seus esforços para "combater a fome, a sua contribuição para melhorar as condições para a paz em áreas afetadas por conflitos e por atuar como uma força efetiva para prevenir o uso da fome como arma de guerra e de conflito".

Neste mês das Bibliotecas escolares em que o tema é “Descobrir caminhos para a saúde e o bem-estar”, podemos dizer que não há saúde nem bem-estar quando há fome e guerra. Assim este prémio é uma forma de reconhecer o trabalho das Nações Unidas que, através da sua ação, traz um pouco de saúde, de bem-estar e paz a milhões de pessoas em vários países.




Louise Glück : Prémio Nobel da Literatura 2020

Louise Glück é a terceira norte-americana a receber o Prémio Nobel e a primeira poetisa dos Estados Unidos da América a ser laureada. Considerada uma das mais importantes poetas norte-americanas, a importância da sua obra tem sido também fora do seu país natal, mas tem recebido pouca atenção em Portugal, onde nenhum dos seus livros se encontra publicado.

Alguns dos seus poemas têm sido disponibilizados de forma avulsa em antologias e revistas, como aconteceu com “O Poder de Circe” e a terceira parte de “Paisagem”, publicados na antologia Rosa do Mundo. 2001 Poemas Para o Futuro (2001), da Assírio & Alvim, e no número 12 da revista Telhados de Vidro, da editora Averno, respetivamente.

In Observador.pt 

Paisagem/3

Nos fins do outono uma rapariga deitou fogo
a um trigal. O outono

fora muito seco; o campo
ardeu como palha.

Depois não sobrou nada.
Se o atravessávamos, não víamos nada.

Nada havia para colher, para cheirar.
Os cavalos não compreendem –

Onde está o campo, parecem dizer.
Como tu ou eu a perguntar
onde está a nossa casa.

Ninguém sabe responder-lhes.
Não sobra nada;
resta-nos esperar, a bem do lavrador,
que o seguro pague.

É como perder um ano de vida.
Em que perderias um ano da tua vida?

Mais tarde regressas ao velho lugar –
só restam cinzas: negrume e vazio.

Pensas: como pude viver aqui?

Mas na altura era diferente,
mesmo no último verão. A terra agia
como se nada de mal pudesse acontecer-lhe.

Um único fósforo foi quanto bastou.
Mas no momento certo – teve de ser no momento certo.

O campo crestado, seco –
a morte já a postos
por assim dizer.