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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Telejornal Escolar do 5.ºC

No âmbito do Projeto Multidisciplinar de Turma/PADDE, implementado em articulação com o CCV, a disciplina de Cidadania e Desenvolvimento e o projeto “Cinco Cores” do Agrupamento, os alunos do 5.º C desenvolveram diversas atividades que deram origem a várias reportagens para o telejornal escolar.

Uma das notícias apresentadas destacou a construção da árvore de Natal da escola. Decorada com palavras relacionadas com os Direitos Humanos, como liberdade, respeito e igualdade, esta iniciativa permitiu sensibilizar toda a comunidade educativa para valores fundamentais de cidadania.

No âmbito do mesmo projeto, os alunos exploraram conteúdos de Matemática. Através da utilização do software GeoGebra, realizaram atividades que mostraram que a Matemática pode ser educativa e divertida, desenvolvendo competências digitais e o raciocínio matemático.

Outra reportagem incidiu sobre o trabalho desenvolvido na disciplina de Ciências Naturais, subordinado ao tema “Plantas Invasoras em Portugal”. Os alunos investigaram espécies invasoras presentes no nosso país.

O telejornal  termina com a partilha da visita de estudo ao Museu RTP, realizada no dia 5 de maio. Esta atividade, integrada no projeto e desenvolvida em articulação com o CCV/LED e as disciplinas de Educação Visual, Português, TIC e Matemática, proporcionou aos alunos uma experiência enriquecedora sobre a história da rádio e da televisão em Portugal.

Clique na imagen para ver o Telejornal Escolar organizado pelo 5.ºC



quinta-feira, 28 de maio de 2026

À procura de Sophia de Mello Breyner Andresen

A última sessão da atividade “Ler com a Biblioteca Escolar” foi dedicada à escritora Sophia de Mello Breyner Andresen. Ao longo desta iniciativa, todas as turmas do 5.º ano participaram num desafiante Escape Room, no qual os alunos tinham de imaginar que estavam fechados na biblioteca e que, para conseguirem “escapar”, precisavam de resolver vários enigmas relacionados com a vida e a obra da autora.

A Biblioteca Escolar encontrava-se especialmente decorada com elementos inspirados no mar e na natureza, universos tão presentes na obra de Sophia de Mello Breyner Andresen. Entre poemas, frases e livros da autora, os alunos puderam “navegar” pelas diferentes pistas e desafios, explorando o espaço de forma criativa e envolvente até conseguirem concluir a missão.

Durante a atividade, os participantes responderam a questões de Português, realizaram pequenos desafios matemáticos e recorreram a estratégias de pesquisa e literacia digital para ultrapassar cada etapa. O primeiro desafio consistiu em entrar na Classroom; depois, foi fundamental ler atentamente as pistas e trabalhar em equipa para encontrar as soluções.

O principal objetivo desta iniciativa foi o de promover, de forma lúdica e motivadora, as literacias da leitura, da informação e do digital, incentivando simultaneamente a autonomia, a colaboração e o pensamento crítico.

Cada sessão contou com uma equipa vencedora, que recebeu uma pequena lembrança e, embora “escapar” da biblioteca não tenha sido tarefa fácil, foram 50 minutos de entusiasmo, aprendizagem e muito espírito de equipa.


segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Lembrar Sophia no dia do seu nascimento

Poema para a Sofia Andresen

Não sei porque floriram no meu rosto

os olhos e os rostos que há em ti.

Floriram por acaso, ao sol de agosto

sem mesmo haver agosto ou sol em mim.

Não sei porque floriram: se o orvalho as queima

(Ponho as mãos nos olhos para os proteger!)

Tão estranho! florirem no meu rosto

olhos e rostos que não posso ver.

Eugénio de Andrade, Fevereiro de 1946

 

 

Agustina Bessa Luís, Sophiade Mello Breyner Andresen, Eugénio de Andrade


domingo, 22 de março de 2020

Lisboa Ainda

Convido-vos a ler este maravilhoso poema de Manuel Alegre dedicado a Lisboa nestes tempos difíceis de pandemia COVID-19. Convido-vos a  ler ainda outros poemas sobre Lisboa dos nossos poetas, mais uma vez Sophia, e a apreciar  quadros Carlos Botelho e de Maluda.


Lisboa Ainda

Lisboa não tem beijos nem abraços
não tem risos nem esplanadas
não tem passos
nem raparigas e rapazes de mãos dadas
tem praças cheias de ninguém
ainda tem sol mas não tem
nem gaivota de Amália nem canoa
sem restaurantes, sem bares, nem cinemas
ainda é fado ainda é poemas
fechada dentro de si mesma ainda é Lisboa
cidade aberta
ainda é Lisboa de Pessoa alegre e triste
e em cada rua deserta
ainda resiste

20 de março de 2020

Carlos Botelho

Alguém diz com lentidão:
“Lisboa, sabes…”
Eu sei. É uma rapariga
descalça e leve,
um vento súbito e claro
nos cabelos,
algumas rugas finas
a espreitar-lhe os olhos,
a solidão aberta
nos lábios e nos dedos,
descendo degraus
e degraus e degraus até ao rio. Eu sei. E tu, sabias?

Eugénio de Andrade, iAté Amanhã, 1956

Maluda



“Lisboa”

Quando atravesso – vinda do sul – o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do seu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão noturna
Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas –
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não-ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
– Digo para ver

Sophia de Mello Breyner Andresen (1977), in Obra Poética, 2011

Carlos Botelho


Lisboa à beira-mar, cheia de vistas,
Ó Lisboa das meigas Procissões!
Ó Lisboa de Irmãs e de fadistas!
Ó Lisboa dos líricos pregões…
Lisboa com o Tejo das Conquistas,
Mais os ossos prováveis de Camões!
Ó Lisboa de mármore, Lisboa!
Quem nunca te viu, não viu coisa boa…

Ai canta, canta ao luar, minha guitarra,
A Lisboa dos Poetas Cavaleiros!
Galeras doidas por soltar a amarra,
Cidades de morenos marinheiros,
Com navios entrando e saindo a barra
De proa para países estrangeiros!
Uns pra França, acenando Adeus! Adeus!
Outros pras Índias, outros… sabe-o Deus!

Ó Lisboa das ruas misteriosas!
Da Triste Feia, de João de Deus,
Beco da Índia, Rua das Fermosas,
Beco do Fala-Só (os versos meus…)
E outra rua que eu sei de duas Rosas,
Beco do Imaginário, dos Judeus,
Travessa (julgo eu) das Isabéis,
E outras mais que eu ignoro e vós sabeis.
(…)

António Nobre, in Despedidas: 1895-1899, 1902


Maluda

sábado, 21 de março de 2020

21 de março: Dia Mundial da Poesia


Neste 21 de março, partilho convosco dois poemas reescritos a partir de palavras de dois poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen pelos alunos do 10.º1 e 10.º2.



Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que eu quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o Teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em Primavera feroz precipitado.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Peço-te que sejas o presente.
Que me purifique,
Só dos teus olhares
Inundes a terra.

Peço-te que venhas e me dês
A liberdade, antes do tempo,
E que o teu reino derrame
O tempo mais comprido.

Peço-te porque tudo está
Sobre coisas,
E suportar é ver que há muitas que eu quero.

Chamo-te, em primavera,
Ainda no princípio
(que) venha feroz, precipitado,
E se acabe tudo.

10º2ª

A hora da partida

A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.

Sophia de Mello Breyner Andresen

A noite escurece e as portas batem.
Soa quando a hora da partida,
estranha e longínqua,
e o vento passa.

Soa quando cada nó em si deslaça,
quando soa a hora da partida.

Como se tudo germinasse.
E de mim no jardim se desprende.

Quando estala o chão
 as árvores inspiradas parecem (a) minha vida,
nelas, a minha face me é (o) fundo dos espelhos.

10º1





sábado, 14 de março de 2020

Revista digital de Homenagem a Sophia de Mello Breyner Andresen

Os alunos do 8.º3.ª lançaram, na Semana da Leitura,  a revista digital elaborada na disciplina de TIC no âmbito das comemorações do Centenário do nascimento de Sophia de Mello Breyner Andresen. A revista reúne os trabalhos realizados no âmbito da Matemática, da Escrita e da Leitura e de competências digitais do 8.º3.ª e, ainda, o trabalho coletivo, realizado pelo 8.º 4.ª, em Cidadania e Desenvolvimento. Inclui, também alguns dos trabalhos apresentados, ao longo das comemorações pelos colegas de todos os outros ciclos.

domingo, 15 de dezembro de 2019

100 livros para as escolas no Centenário de Sophia



No âmbito das comemorações do Centenário da escritora Sophia de Mello Breyner Andresen, o nosso agrupamento esteve, ontem, dia 12 de dezembro, uma vez mais, em festa, com uma iniciativa patrocinada pela RBE: a Escola Básica Sophia de Mello Breyner Andresen foi contemplada com a oferta de 100 livros. 

Os livros foram entregues pela senhora coordenadora nacional das Rede Bibliotecas Escolares, Drª. Manuela Silva, e pela senhora coordenadora concelhia, Drª. Isabel Antunes, em sessão que contou com a presença da senhora diretora do Agrupamento, professora Maria João Palhais, pela senhora coordenadora de estabelecimento, professora Maria João Mateus, a presidente do Conselho Geral, Lurdes Cruz, as professoras bibliotecárias, algumas outras professoras e, ainda, duas turmas do 5.º ano, a turma C e a turma A. 
A sessão decorreu na Biblioteca onde as professoras bibliotecárias expuseram alguns dos trabalhos que haviam participado na coletiva de todas as escolas do Agrupamento e realizada, na SMBA, na semana anterior. Foi possível assistir à projeção de imagens dessa mesma exposição, bem como ao vídeo realizado aquando da apresentação, pelos alunos de uma turma da EB1/JI da Brandoa, do recital A Menina do Mar.
Os alunos da turma A apresentaram uma leitura coral do poema Fundo do Mar, da poetisa homenageada.
Após a entrega dos livros, os alunos conversaram com as coordenadoras e os docentes presentes. 



A Drª. Manuela Silva mostrou-se encantada, nomeadamente pela espontaneidade dos alunos e manifestou a sua admiração pelos trabalhos de arte expostos tanta na SMBA como na ESFN.

Esta oferta de livros, feita a todas as escolas (seis escolas no país) cujo patrono é Sophia de Mello Breyner Andresen, veio enriquecer as nossas bibliotecas, quer aumentando o número de exemplares de obras que já tínhamos, quer trazendo mais títulos para o nosso espólio, como a Obra Poética.

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

Centenário Sophia


                             

                             Vemos, ouvimos e lemos
                             Não podemos ignorar
                             Vemos, ouvimos e lemos
                             Não podemos ignorar

                             Vemos, ouvimos e lemos
                             Relatórios da fome
                             O caminho da injustiça
                             A linguagem do terror

                             A bomba de Hiroshima
                             Vergonha de nós todos
                             Reduziu a cinzas
AP12 -leitura de poemas da Sophia
                             A carne das crianças

                             DÁfrica e Vietname
                             Sobe a lamentação
                             Dos povos destruídos
                             Dos povos destroçados

                             Nada pode apagar
                             O concerto dos gritos
                             O nosso tempo é
                             Pecado organizado.







Em 2019, os CTT Correios de Portugal dedicam um selo à escritora e poeta Sophia de Mello Breyner Andresen, a propósito dos 100 anos do seu nascimento. Este selo é integrado na emissão de selos «Vultos da História e da Cultura», que anualmente homenageia nomes de destaque no contexto nacional.